Margens do sentido

Núcleo de Pesquisa em Filosofia

Para o ano de 2026, o Núcleo Margens do Sentido adotará como tema a “Intencionalidade”. Esse conceito funda uma tradição filosófica segundo a qual os estados mentais são essencialmente caracterizados por sua transitividade, ou direcionalidade, isto é, por estarem sempre “voltados para” algo: um objeto, um estado de coisas, uma ação possível. Como afirmou John Searle:

“Intencionalidade é aquela propriedade de muitos estados e eventos mentais pela qual estes são dirigidos para, ou acerca de, objetos e estados de coisas no mun­do. Se, por exemplo, eu tiver uma crença, deve ser uma crença de que determinada coisa é desse ou daquele mo­do; se tiver um temor, deve ser um temor de alguma coi­sa ou de algum acontecimento; se tiver um desejo, deve ser um desejo de fazer alguma coisa, ou de que algo aconteça ou seja; se tiver uma intenção, deve ser uma in­tenção de fazer alguma coisa; e assim por diante em uma longa série de outros casos”. (Searle, Intencionalidade, 2002, p.01)

Essa definição, no entanto, está longe de ser consensual, seja na tradição fenomenológica, seja na tradição analítica. Dessa tensão emergem as perguntas que orientarão as atividades do Núcleo em 2026:

  • O sentido é produzido pela consciência ou pelo uso — pela linguagem e pela prática?
  • A intencionalidade é uma estrutura mental, linguística ou existencial?

Assim, o tema da intencionalidade articulará de modo estruturante as atividades do Núcleo Margens do Sentido — dos grupos de leitura aos seminários e conferências —, funcionando como um eixo de convergência entre fenomenologia, filosofia da linguagem e filosofia da mente.

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